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30 de nov de 2009

Entrevista com John Ulhoa, produtor do "Vou com Gás"


foto:Claudia Margutti

Quais as características marcantes do trabalho do Falcatrua?

Pra ser sincero, eu conhecia pouco o trabalho deles antes de fazer essa
produção. Já havia visto alguns shows, que eram sempre marcados pela
união peso + diversão. Acho que eles são, basicamente, uma banda de
rock, no sentido até clássico da palavra.

Por que produzir um trabalho que faz homenagem a Tim Maia? Você gosta
do som que ele produzia? Ou passou a gostar no processo de trabalho?

Isso é um desafio mesmo, mas vejo essa experiencia pra eles como uma
farra, vai tornar os shows mais divertidos, é uma falcatrua das boas.
Apesar de já terem uns bons anos de estrada, acho que agora vão
descobrir uma outra identidade, um Falcatrua 2.0

Como foi a escolha do repertório?

Procuramos aquelas que se adaptariam a essa pegada disco-rock que acho
que é a tônica do disco. A maioria veio de fases mais antigas mesmo,
Tim Maia clássico soul music. Acho que o arranjo que eles já tinham de
"Sossego" foi um norte, se aproximava muito da ideia que eu tinha pra
essas músicas, um som na praia de bandas como o Electric Six, que
martelam guitarras e moogs furiosos em cima de bases dançantes.

Que faixas destacaria como bastante criativas e por quê ?

O disco é quase todo num clima "festa", mas gosto quando a gente
consegue misturar isso com sons não muito ligados à disco, nem ao rock,
como o banjo em Festa de Santo Reis. Por outro lado, adoro a pancadaria
pura e simples de Sossego.

Houve alguma ideia de canção que tenha mudado bastante durante a
produção em relação ao que a banda pretendia originalmente?

Acho que a mudança mais radical foi Réu Confesso, que teve um primeiro
arranjo bem lento, e depois tomou um energético e agora voa pela pista.

Você acha que o fato de ser músico traz uma bagagem distinta na função
de produtor. Por que?

Ah, a maioria dos produtores é músico... Alguns poucos atuam mais como
"produtores de clima", e não me entenda mal, podem ser muito bons
nisso. Mas pra meter a mão na massa técnica e musical tem que saber
conversar um pouco com as notas. Me ajuda a resolver questões triviais
no processo, a dar sugestões específicas...

Quais as facilidades em trabalhar com Nelson Motta na direção artística?

O Nélson foi bem tranquilo nesse processo, deu o pontapé inicial e nos
deixou bem à vontade. Pode parecer pouco, mas sem ele a gente não teria
nem começado.

Como foi participar também das gravações?

É natural pra mim, gravo quando há uma lacuna ali, que acho que posso
contribuir. Toquei pouquíssima guitarra, queria que a impressão
guitarrística da banda tivesse sua própria cara. O que mais toquei
foram teclados, que nem domino direito, mas sei programar bem.

Quis dar alguma característica comum ao disco como um todo ou cada
música tem uma pegada diferente da outra?

Eu chamaria esse som de disco/rock... Busquei isso em quase todas
faixas, com raras excessões. Entre elas "Azul da Cor do Mar", a única
balada. Tentei me afastar de certos timbres que o Tim usava, mas que
provavelmente soariam "duvidosos" numa banda de rock, como os metais.
Eu queria um disco cheio de guitarras que tocasse todo numa festa e o
pessoal iria se chacoalhar até cansar, com aquela pausa pra namorar em
uma única canção lenta. Acho que era meio a fórmula do Tim...

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